sexta-feira, junho 08, 2007

Neura viciante

Vou aqui sentada, nesta cadeira azul sem vista para o mar. À minha volta estas gentes pintadas de cinzentos, de cores escuras, tal como o tempo que faz hoje. Mangas curtas, mangas comprimidas, sapatos fechados e sandálias, gentes que lêem o jornal para poderem debater o assunto "o país em que vivemos", outras que se maquilham porque o patrão gosta mais assim e podem ser promovidas. Andamos todos sem dinheiro! Depois há os viciados, aqueles que duas estações antes já tiraram um cigarro e um isqueiro e o colocaram no bolso do casaco. É a merda do vício. E no meio de todos estes estou eu, também viciada, mas não num vício que me faz colocar o cigarro na boca no exacto momento em que ponho o pé fora do comboio. Antes fosse! Este meu vício é pior. Vai-me matando sem eu me dar conta, sem ter a prova numa "fotografia aos pulmões". Vai matando, uma vez, e outra vez, e mais outra. Mas esta morte, esta morte é por gosto e com gosto porque sabe bem morrer.
O meu vício é um vício talvez igual ao teu. É o vício do amor. É este vício que me consome as 24 horas do dia e que, no final destas, me faz querer ter outra alma para poder morrer de novo. A verdade é que o amor dói, mas ainda não existem medicamentos para esta dor, pelo menos aqueles que o médico nos pode prescrever. E quanto mais minutos passo nesta vida, mais tenho a certeza que o amor com amor se cura.
Hoje venho neste comboio com destino a Roma-Areeiro, com a neura, a neura especial de uma 6ª feira, aquela que não me deixa acreditar por momentos. Mas eu continuu a saber o que quero! Quero este vício, quero este vício com tudo o que tenho direito. Quero-te e é por isso que vou continuar a andar na estrada que me leva a ti.

quinta-feira, junho 07, 2007

"(...) O amor não é cego. Qualquer tipo de amor, por muito que o digam os poetas, não, não é cego, nem surdo e, por isso mesmo, damos a quem amamos, o poder de nos magoar. Uma, e uma, e outra vez.(...)"
Luisa Castel-Branco in Instantes, Destak

segunda-feira, junho 04, 2007

Seis e seis

Hoje cheguei a casa e apeteceu-me ler algo que enchesse a minha alma, algo que enchesse a alma que despejo com a música que ouço. Encontrei aquilo que procurei. Chama-se "Seis e seis" e é um texto da Margarida Rebelo Pinto. Eu sei que às vezes é chato lermos posts tão extensos, mas este valeu a pena ser colocado. Valeu a pena ter sido lido porque agora, de alma vazia, estas são as palavras que eu diria...
Seis e Seis
"Tu olhas para uma pessoa, uma pessoa que sabes que não é uma pessoa qualquer, porque o teu olhar fixa-se nela e quando ela olha para ti e sente o mesmo que tu, sentes que alguma coisa vai acontecer. Não sabes nada ainda, mas intuis, intuis com os teus sentidos, com o teu corpo e às vezes com o teu coração que aquela pessoa pode ter qualquer coisa para te dar, que não sabes o que é, mas sabes que um dia vais descobrir e que esse dia pode ser nesse momento, e é então que tiras os dados do bolso e os lanças para cima da mesa.Quando nos interessamos por alguém, nunca sabemos no que vai dar. Lançamos os dados como quem os deixa cair quase por acaso e muitas vezes nem queremos saber quanto deram: um e um, dois e quatro, três e três, cinco e dois, é sempre um mistério, porque a sorte também manda na vida, manda mais do que queríamos e menos do que gostávamos, por isso desconfiamos dela sempre que nos é favorável, mas aceitamos as suas traições como a ordem natural das coisas, por mais absurdas que sejam.Os dados caíram quando levantaste o copo e eu vi no chão seis e seis, vi-te a apanhar os dados e a rir, ouvi a tua voz e quando começámos a conversar, percebi que os dados estavam certos.Gostamos de tudo um no outro; eu gosto da tua casa, da tua música, da tua forma desligada de olhar para o mundo, tardes inteiras a repetir em stereo os melhores sketches do Gato Fedorento, os passeios à beira mar de camisola de lã com capuz, as polaroids com legendas e a forma como te divertes com tudo o que te rodeia. E tu gostas da minha alegria de viver, do meu sarcasmo cirúrgico, de dizer sempre tudo o que penso, sinto e quero, mesmo quando não estás preparado para me ouvir. Eu gosto de te conhecer e de te perceber, porque és diferente dos outros homens e tu gostas que eu te entenda melhor do que as todas as mulheres. E gostamos de estar um com o outro; à mesa, em casa, com amigos, sem amigos, com sono, sem sono, mas sempre perto quando estamos perto, mesmo que fiquemos longe quando nos afastamos.Acredito que todos temos direito a ter sorte e que, quando alguém aparece na nossa vida de repente, ou é porque nos vai fazer bem ou é porque nos pode fazer mal. E eu vi-te com bons olhos desde o primeiro momento, achei que me ias ajudar a limpar a tristeza, que a tua presença quase imperceptível na minha vida seria como um bálsamo, uma música perfeita e harmoniosa, um dia ao sol, ou uma noite em branco, daquelas que nos fazem pensar que a vida está cheia de surpresas boas e que vale mesmo a pena estar vivo, só para as saborear.Tu foste e és tudo isto, e ainda mais agora, que somos amigos; entre nós não há pesos nem amarras e o silêncio não quer dizer ausência, apesar da ausência reinar nos nossos dias.Quando lançamos os dados, nunca sabemos no que vai dar; tu podias ser um assassino encapotado e eu uma neurótica disfarçada, mas tivemos sorte, porque somos duas pessoas normais, com coração, e dois ou três princípios que nos fazem estar bem com a vida e com os outros.Só tenho pena de não ser dona do tempo, porque houve momentos que, se pudesse, teria vivido mais vezes ou mais devagar, como quem saboreia um chá de menta, ao fim da tarde, no largo da Igreja a ouvir os sinos. E como escrever é a melhor forma de falar sem ser interrompido, digo-te agora e sem rodeios, fica comigo mais uma vez, vem rir do mundo e adormecer nos meus braços, abrir o teu coração e sonhar acordado, vem ter comigo hoje, porque eu quero lançar outra vez os dados e aposto que vai dar seis e seis outra vez, porque os dados nunca se enganam e a amizade é o amor sem preço e sem prazo de validade." Margarida Rebelo Pinto, 15 de Junho de 2005

domingo, junho 03, 2007

She tears you down darlin
Says you're nothing at all
But I'll pick you up darlin
When she lets you fall cause
You're like a diamond
But she treats you like glass
Yet you beg her to love you
But me you won't ask
Alicia Keys - If I was your woman

sábado, junho 02, 2007

Deves estar a chegar...

Hoje, como todos os dias quero-te junto a mim. Ainda temos muitas linhas de vida para escrever, mas tu foste embora. Tu deixaste-me aqui, sozinha entre estas 4 paredes que fazem a minha casa, um castelo que deixou de ser encantado. E quando hoje me dizem que podes voltar, abro as janelas que existem nestas 4 paredes onde estou. Abro todas, com medo, mas abro. E espero pelo momento em que a noite vai acabar e o sol vai nascer. Espero por aquele momento em que posso ver, deitada na minha cama, o sol a entrar pelas janelas que eu abri. E espero que o tempo passe...
São 10 da manhã e já era tempo de eu ver o sol a entrar pelas minhas janelas. Já era tempo destes raios de sol entrarem e de tu bateres à minha porta a dizer "Voltei!". Mas a lua cheia da noite anterior continua e tu não bates à minha porta. Tu, afinal, não voltas-te. E eu, na cama, viro-me para outro lado e durmo mais um pouco, mas só até às 11...