terça-feira, março 10, 2009

Abraço

Há dias em que, mal coloco o pé fora da cama, me apetece voltar para ela e dormir. Há outros, em que me apetece estar as 24 horas fora de casa, apanhar ar, apanhar Sol, apanhar frio.
Há dias em que, quando fazemos a travessia Cais do Sodré-Cacilhas no final de tarde e início de noite de um dia de Inverno com 23ºC de máxima, nos apetece um jantar alí, em pleno Tejo azul-quase-escuro. Um jantar a dois, à luz das velas e à luz do Sol, deste Sol que teima em se esconder atrás da Liberdade. Um jantar a dois, num barco, nem que seja o barco mais minúsculo onde alguma vez estivémos. Há outros, em que nos apetece jantar sentadas no sofá, com as pernas em yoga e o prato em cima de uma almofada... Tabuleiros? Não obrigada. Dão muito trabalho de ir buscar ao armário! E a luz, essa é a económica, a que comprámos no Jumbo mais perto de nós a um preço barato e a qual exibimos orgulhamente por sermos mais um, entre muito poucos, a contribuir para que o Planeta não acabe tão depressa!
Há dias em que apetece chorar... Outros em que apetece sorrir.
E depois há estes dias, como o de Hoje. Há estes dias em que nos apetece simplesmente um abraço. Adormecer nesse abraço e acordar nesse abraço. E, se possível, no dia seguinte, levar o abraço para o trabalho para nos abraçar à hora do almoço...

segunda-feira, março 09, 2009

Apetite

Hoje apetece-me dizer o que tenho atravessado na minha garganta!
O que realmente me apetece é dizer tudo o que tenho cá dentro, tudo aquilo que sinto. Apetece-me dizer o quanto alguns homens, por mais idade que tenham da nossa, são infantis e querem viver no mundo adolescente deles. Apetece-me dizer o que tenho a dizer bem alto para ouvirem... e depois? Depois deitar-me no sofá, enrolada numa manta e ver as novelas da TVI...

domingo, março 08, 2009

As coisas

As coisas que nos acontecem na vida, acontecem sempre num determinado tempo. Por vezes queremos antecipar o tempo das coisas, noutras vezes, queremos retardar esse tempo. O tempo das coisas não é igual em todas as pessoas. Cada coisa surge em tempos diferentes em cada pessoa. Lá por a nossa amiga ter uma coisa num certo tempo da vida dela, não quer dizer que nós, que vivemos no mesmo tempo que ela, tenhamos essa mesma coisa. As coisas aparecem no tempo da nossa vida quando devem aparecer. Aparecem quando estivermos preparadas para receber essa coisa ou quando já tivermos passado por coisas-passadas que se tornam importantes para compreender essa coisa-futura. Por vezes, as coisas que aparecem aos outros podem não aparecer em nós. Para quem precisa de uma justificação do porquê de não aparecem a elas, pensem que é porque vos esperam coisas melhores...
Tomemos o exemplo da coisa que é 'ter namorado'. Lá porque todas as pessoas que nos rodeiam tenham namorado, não quer dizer que nós também tenhamos de ter. Lá porque algumas pessoas à nossa volta andem a pinar, não quer dizer que nós também o tenhamos de fazer. Há coisas que podem acontecer às outras pessoas porque é o tempo de acontecer nelas, mas não significa que tenham de acontecer em nós, não significa que tenham de nos acontecer no exacto tempo em que lhes acontece a elas. Ás vezes podemos não estar preparadas para esta coisa que é 'ter namorado' ou para estar coisa que é 'o sexo'. Não queiramos apressar certas coisas porque há coisas que não podem ser apressadas! Há coisas que acontecem quando têm de acontecer, porque têm de acontecer e a quem têm de acontecer...
Isto leva-me a pensar noutra coisa. A coisa que é 'querer que a nossa vida seja igual à vida das pessoas que nos rodeiam', que siga o mesmo padrão. Às vezes, para algumas pessoas, há um desespero: o desespero em encontrar alguém e de, quando se encontra esse alguém,o desespero em querer à força toda que esse alguém seja o salvador, que seja o alguém que andávamos à espera há muito tempo. O despero para que esse alguém seja o homem ideal, a perfeição de homem que algumas amigas têm, a pessoa com quem nós iremos viver os próximos dias da nossa vida, com quem iremos fazer as viagens românticas que sempre sonhámos, com quem iremos jantar em restaurantes românticos, com quem iremos a cafés românticos, com quem iremos a todos os sítios que têm uma ponta de romantismo. E nisto do desespero, há pessoas que têm este desespero na fase de encantamento e que vivem esta fase loucamente apaixonadas, que respiram e transpiram desespero e que têm de ir a todos estes sítios-com-ponta-de-romantismo Hoje porque Amanhã já será tarde.
Depois, existem aquelas pessoas que inspiram e expiram o desespero mas com calma. Inspiram e expiram profundamente porque 'se não formos Hoje, podemos ir Amanhã. Não haverá problema e há tempo. Há muito tempo'.
O modo como vemos as coisas que acontecem aos outros, o modo como assumimos, ou não, que também temos de ter essa coisa no mesmo tempo que a outra pessoa tem depende da nossa capacidade de 'ir com a maré'. É esta coisa de 'ir com a maré' e com o que os outros fazem, dizem ou pensam que me assusta. Assusta-me que, cada vez mais, se queira fazer, dizer ou pensar o mesmo que o outro faz, que o outro diz ou que o outro pensa. A ideia de que 'se o outro tem eu também tenho de ter' é, para mim, absurda. E mais absurdo e incompreensível é o que, por vezes, se faz para se conseguir ter a mesma coisa que o outro tem.
Esta inveja-novata das coisas que o outro tem, este 'ir com a maré' assusta-me. Assusta-me, por vezes, a falta de identidade e o tentar ao máximo adaptarmo-nos às pessoas de um grupo, tentar ser como elas para termos as coisas que elas também têm...
As pessoas não são iguais e não têm de ser iguais. As pessoas são diferentes. Têm diferentes maneiras de ser, diferentes modos de lidar com as situações. As pessoas têm diferentes padrões e modos de viver as suas vidas. Por mais que o tempo possa ser igual, as coisas da vida aparecem em tempos diferentes em cada pessoa. Aparecem quando têm de aparecer, porque têm de aparecer e a quem têm de aparecer. Não queiramos apressar ou retardar a sucessão das coisas. Não queiramos 'ir com a maré' nas várias coisas da nossa vida. Acima de tudo, sejamos capazes de ser fiéis a nós próprios e ao que somos.
Mais do que as coisas nos acontecerem é termos a capacidade de tirar proveito das coisas que nos acontecem, de aprender com essas coisas, de aproveitar cada segundo dessas coisas.
Querer, podemos sempre todos querer muitas coisas. Mas, por mais que tenhamos o que queremos, a grande diferença está em saber como saborear as coisas que temos...

sábado, março 07, 2009

21 = Solidariedade + Dignidade

Hoje a frase da Margarida Rebelo Pinto no blog dela marcou-me...
'Vivemos o amor aos 20 anos com paixão e ingenuidade, aos 30 com paixão e vontade e aos 40 com mais vontade do que qualquer outra coisa'.
Dos 30 e dos 40 anos não posso falar. Ainda lá não cheguei, mas posso falar dos 20 e mais 1 e uns quantos meses pelo qual já passei. O que a Margarida quer acabar por dizer é que, com o passar dos anos, acabamos por perder a ingenuidade que possamos ter quando estamos apaixonadas. Aquela ingenuidade que possamos ter está presente quando achamos tudo um máximo no período de encantamento. Gostamos dele porque ele é um máximo. Queremos estar com ele porque ele é um máximo. Os momentos com ele são um máximo e o sexo é um máximo. É tudo um máximo porque nunca estivemos tão maximizadas. Mentira! No início as relações são sempre todas um máximo. Ele é sempre um máximo até ao dia que vir que somos um dado adquirido. Aí, deixa de ser tão máximo. Os momentos com ele são um máximo até ao dia em que a rotina tomar conta da relação (isto porque as pessoas não entendem que Estar Apaixonado ou Numa Relação é uma profissão para toda a vida e, quando o dia-a-dia é mais forte que a vontade em inovar então aí, deixa de ser tudo tão máximo.) E o sexo? Esse pode ser o único que ainda resista à maximização porque é possível que seja o único que se torne cada vez mais um máximo.
Desde que nascemos até àquele dia em que dizemos que somos Adultos, que é aquele dia em que não dizemos, no início de uma relação, que é tudo um máximo, vamos perdendo a nossa ingenuidade. As crianças às vezes têm ingenuidade a mais. Os adolescentes variam dum estado de ingenuidade para um estado de total ausência dela. E os Adultos, esses já não a têm.
Aos 20, a Margarida diz que se vive o Amor com paixão e ingenuidade. Nos meus 21 vive-se o Amor com paixão. A ingenuidade já lá foi. Nem tudo é 'tudo um máximo'...A única coisa que é cada vez mais um máximo para alguém com 21 anos que vive cada dia e que ainda não tem medo de chegar aos 40 sozinha (sim! Porque a vontade que a Margarida fala que se tem aos 40 é a vontade de ter alguém para não se ficar sozinha!) é o Sexo!
Sexo é a palavra de ordem deste milénio. Há cada vez menos homens e cada vez mais mulheres e as que existem vão ter, cada vez mais, de repartir os homens. Na realidade, eles não traem porque querem. Eles não são cabrões. A verdade é que existem tantas mulheres e tão poucos homens que nós, mulheres, acabamos por partilhar o nosso homem com umas quantas outras mulheres. Vendo bem, a isto chama-se Solidariedade Feminina. Do ponto de vista do homem, chama-se Aumento da Dignidade Masculina... Chegará o dia em que viveremos numa Aldeia Global, onde o homem vive numa casa no meio da Aldeia e nas várias casas em redor vivem as várias mulheres com os filhos desse homem. Cada vez mais nos aproximamos das influências culturais africanas... (Que os homens não digam que a Globalização não trás as suas vantagens!)
E aí, com 40 anos ou mais, ainda acham que iremos viver o Amor com mais vontade do que qualquer outra coisa? Ou não quereremos nós procurar a ingenuidade da raça masculina,sentá-los no nosso colo e ouvi-los dizer que 'somos um máximo' ? Porque não sermos mulheres com passado que gostam de homens com futuro, como já dizia a Margarida?

As mulheres são fracas

Hoje disseram-me que 'as mulheres são fracas', mas aqui não se trata de ser o sexo feminino, porque também os homens são fracos. Aqui, trata-se de sermos seres humanos. Na verdade, o ser humano é fraco quando se trata do amor, da paixão, do sexo. Quem não gosta de se sentir amado e desejado que levante o dedo. Quem não gosta de ter alguém que lhe o corteje no período de encantamento (que antecede a rotina, a qual temos de combater, porque um relacionamento é uma profissão para toda a vida) que levante o dedo. E que levante também o dedo quem não gosta de sexo. Nem se avista o dedo mindinho!
As mulheres são fracas. Somos fracas. Somos fracas quando lhes dizemos que "temos saudades" porque não é suposto fazê-lo. Por mais que um homem goste de se sentir desejado e orgulhoso por ter uma mulher na palma da sua mão, dizer-lhes que "temos saudades" é impensável. Faz-lhes pensar que estamos louca e perdidamente apaixonadas por eles. Faz-lhes imaginar uma possível rotina, uma vida a dois, uma prisão com grades de ferro. Ter saudades deles implica que eles tenham de pensar na possibilidade de pôr fim ou 'dar um tempo' à relação que têm com as suas várias 'amigas'... (e é necessário reapreender este conceito de amiga, pois o antigo é dés modê). Por isto, somos fracas. Somos fracas por sabermos que, para além de nós, existem umas quantas 'amigas'. E, acima de tudo, somos fracas por não termos a coragem de pô-los de lado. Previlegiamos o sexo...
E seria tão mais fácil se ambas as partes abrissem o jogo. 'Eu, para além de ti, ando a foder com mais duas', 'Okey. Eu não gosto de ti, mas o sexo é bom e és-me útil para satisfazer esta minha necessidade, mas volta e meia também pino com um outro amigo eu'.
Maior abertura que esta seria pedir demais...
Os homens também são fracos. Têm a fraqueza de não conseguir resistir a uma mulher fresca, àquela que não faz parte do grupo de 'amigas'. Fresca é aquela mulher diferente, ousada; no Verão porque está muito calor cá fora e sabe bem comer algo fresco; e no Inverno porque está muito frio cá fora e há aquele misto de frescura com a sensação de quente quando os nossos dentes, que tão sensíveis são, comem algo. Fresca significa nova. O peixe quer-se fresco. A fruta quer-se fresca. E, por ser fresca, nova, é sempre mais cara, pode demorar mais tempo a encontrar e a comprá-la, mas também tem mais qualidade... E, quado se trata de gerir o seu dinheiro, se o investimento for promissor, eles não desistem, a não ser que as mulheres lhes digam, ainda na primeira ronda do jogo de encantamento e sedução 'Estou a começar a gostar de ti...'. Então aí? Aí desistem porque nos tomam como um dado adquirido. Aí, são fracos!
Eu, era fraca. Hoje, deixei de o ser. Que tal virar o sentido do jogo?