sábado, março 21, 2009

Se eu mandasse nas palavras

Como se eu mandasse nas palavras, pediram-me que a dor fosse um sorriso. Como se eu mandasse nas palavras, disseram-me ser louca e ser juízo. Como se eu mandasse nas palavras, falaram-me que a água era o deserto. Como se eu mandasse nas palavras, disseram-me ser o mesmo, o longe e o perto.

Palavras não são só aquilo que eu oiço. Não peçam que eu lhes ganhe ou não as sinta. Palavras são demais para o que posso. Não queiram que eu as vença ou que lhes minta.

Palavras não são só aquilo que eu oiço. Não peçam que eu lhes ganhe ou não as sinta. Palavras são demais para o que posso. Não queiram que eu as vença ou que lhes minta.

Como se eu mandasse nas palavras, quiseram que trocasse Sol por Lua. Como se eu mandasse nas palavras, disseram-me que amar que era ser tua. Como se eu mandasse nas palavras, quiseram que emendasse o que está escrito. Para quê? Se eu mandasse nas palavras, daria agora o dito por não dito.

Palavras não são só aquilo que eu oiço. Não peçam que eu lhes ganhe ou não as sinta. Palavras são demais para o que posso. Não queiram que eu as vença ou que eu lhes minta.

Palavras não são só aquilo que eu oiço. Não peçam que eu lhes ganhe ou não as sinta. Palavras são demais para o que posso. Não queiram que eu as vença ou que lhes minta…

Mariza – Se eu mandasse nas palavras

terça-feira, março 17, 2009

Fascínio

O Boss AC dizia que só precisava de 5 minutos e eu concordo. Também eu, às vezes, só preciso de 5 minutos. Mas hoje não venho falar dos 5 minutos que precisamos na vida para fazermos o que queremos. Se formos a ver, há quem precise de mais do que 5 minutos e há quem queira despender muito mais do que este tempo.
Sejam 5 minutos que é o tempo que dura a música da Madonna com o Justin Timberlake ou 10 minutos, o tempo que demoram as publicidades das estações televisivas (à excepção da Fox Life). Ou sejam, ainda, os 15 minutos, o tempo que demoramos a flutuar no Tejo entre o Cais do Sodré e Cacilhas. Quinze minutos é o tempo ideal para fazer tudo, tudo aquilo que não fizémos antes. Depois de não termos parado nos transportes públicos em lisboa: primeiro o autocarro que nos leva até ao Jardim Zoológico, depois a linha azul até à Baixa e, por fim, da Baixa ao Cais na verde. Andámos neste corrupio estonteante e se existe um momento em que todos os Portugueses têm a mesma filosofia e a mesma opinião é na utilização do Metro: por mais cheio que possa estar, por mais que se veja, de fora, que não cabe mais ninguém naquela carruagem do metro porque está tudo 'atafulhado' lá dentro, cabe sempre mais um! E, mais um, significa caber sempre aquele que quer entrar porque quer apanhar o barco das X horas para, depois conseguir apanhar o autocarro ou o metro superfície às Y e chegar a casa às Z horas, a tempo ainda de pegar no carro e ir ao Fórum Almada ou a outro sítio qualquer.
Quinze minutos é o tempo ideal para se flutuar no Tejo e se fazer tudo o que não se fez nos minutos antes da Travessia. Afinal, com a carruagem tão cheia e 'meio sardinha enlatada' nem o livro ou o jornal se podia ler... E é aqui, no barco, que entram as actividades que revitalizam o nosso fim de dia...
No barco, há quem leia o jornal. Há outros que acreditam que são naqueles 15 minutos que vão conseguir ler as últimas 10 páginas que faltam para acabar o livro que lhes segue há 1 mês nas viagens nos transportes públicos. Depois, há quem aproveite para utilizar as tecnologias: os telemóveis e os iphods. Mandam-se SMS a quem se tem de mandar, descobre-se no telemóvel aquilo que ainda não se descobriu (mesmo tendo-o comprado o mês passado), ouve-se R&B, Hip-Hop, Pop, Jazz, Rap, House e outras músicas de géneros inconclusivos. Há ainda quem aproveite para namorar e partilhar com o respectivo companheiro/a o que aconteceu de significativo no trabalho: fulana tal disse alho e cicrano disse bugalho. Mas, entre estes todos, os meus preferidos são aqueles que não fazem nada, mas que fazem tudo: olham e pensam. Aqueles que olham para a senhora que está ao lado a fazer crochet e que pensam que também gostariam de saber fazer. Aqueles que olham lá para fora, para o Tejo, para a Liberdade e pensam quando é que se têm de levantar da cadeira para irem para a porta. E, como preferido dos meus preferidos, existem aqueles como eu, que olham e pensam e escrevem mentalmente o que estão a ver. Aqueles, como eu, que criam a história daqueles 15 minutos, que os descrevem no pensamento para os escreverem mais tarde ou no dia seguinte. Estes, como eu, que gostam de observar os pormenores e pensar sobre eles, procurar a descrição ínfima, o tricotar da senhora de meia-idade com uma malha roxa cor da moda no meu lado direito, num dos bancos junto à janela, onde a rapariga da frente olha fixamente para a velocidade daquela acção. Isto tudo, enquanto o barco parou os motores e apenas flutua no Tejo e, onde, o rapaz ao lado olha para a janela e pensa que aquele é o momento exacto para se levantar e ir para a porta pois, só assim, será o 1º a sair do barco.
Para alguns, isto que disse pode não fascinar. Pode não fascinar o corrupio nos transportes públicos, a filosofia da 'sardinha enlatada' no metro de Lisboa, o tricôt roxo da senhora de meia-idade, ou até mesmo o tipo ou a cor da lã com que se tricôta a nossa vida.
A vida, por vezes, não fascina e, não fascina sobretudo, a quem não tem por hábito olhar para os pequenos aspectos fascinantes da vida que, na maioria das vezes, são aqueles que mais passam despercebidos. O fascínio está na procura em saber como determinada coisa e determinada pessoa são e isso, só se concretiza no olhar. E não estou a falar de ver. Estou a falar de olhar porque olhar, é muito mais do que simplesmente ver.

segunda-feira, março 16, 2009

O Hubba Bubba da actualidade

“A Hubba Bubba é uma pastilha elástica que surgiu nos anos 70 nos E.U.A. Esta pastilha elástica, ao contrário das outras, é menos pegajosa, daí que seja mais fácil tirar os pedaços dela que ficam na nossa pele depois de fazermos um balão. A maioria dos sabores deste tipo de pastilha elástica são à base de frutas.”

A pastilha Hubba Bubba essa nunca a provei mas o meu interesse por ela surgiu quando ouvi o nome numa música da Kelly Rowland: “I got that come back, the hubba bubba”… Resumidamente, a música dizia que os homens voltam sempre para as mulheres, mesmo depois de, algum dia, terem saído da vida delas. Segundo a música, eles voltam se nós tivermos Hubba Bubba!

O Hubba Bubba , para mim, é o fenómeno dos dias de Hoje. Tal como ela, menos pegajosa e mais fácil de tirar os pedaços que podem ficar na nossa pele, assim o são as relações amorosas do século XXI. Desprendidas do que quer que seja e de quem quer que seja, onde, caso a relação não resulte, seja fácil ‘seguir com a vida para a frente’.

Mas o fenómeno Hubba Bubba é muito mais do que isto. Na realidade, não nos podemos esquecer que, antes do nome, o Hubba Bubba é uma pastilha elástica.

O fenómeno Hubba Bubba é o que eu gosto, fácil e rapidamente de chamar ao fenómeno de retorno de alguém que já saiu da nossa vida, de retorno às origens. Tal como diz o ditado ‘um bom filho à casa retorna’. Ter Hubba Bubba é encarar as relações amorosas como um surfar na crista da onda, indo para onde a onda nos levar, independentemente do modo como estiver o mar. Ter Hubba Bubba é saber deixar os homens sairem das nossas vidas quando eles acham que o têm de fazer. É deixá-los ir, sem os prender, independentemente dos prazeres da vida que tivémos com eles. Ter Hubba Bubba é deixá-los partir e ‘seguirmos com a nossa vida para a frente’, não nos deixando levar pela tristeza e pela melancolia. Ter Hubba Bubba é saber que, tempo depois de eles sairem das nossas vidas, eles vão voltar a entrar nelas pelo seu próprio pé.

Ter Hubba Bubba  é simplesmente acreditar que ‘se os homens nos deixam e, tempo depois, nunca chegam a voltar é porque nunca os tivémos, mas que, se sairem e, no Dia Seguinte cá estiverem de novo , é porque sempre os possuímos’.

domingo, março 15, 2009

Pequenos ou Grandes? São Prazeres!

E é também a sensação daqueles dedos a preencherem o nosso vazio ao mesmo tempo que nos contorcemos de prazer que nós, mulheres, guardamos. São os beijos na barriga, nas pernas e no pescoço que, mais tarde relembramos. É o momento e o tempo na bolha onde apenas existem dois corpos e uma alma. É um momento que parece maior que a eternidade do tempo, de um tempo que não tem tempo, que não tem segundos, que não tem minutos, que não tem horas, que se chama apenas tempo.

Fazer sexo é exactamente isto. É sentirmos que não temos órgãos e que o nosso sangue corre e fervilha dentro de nós por vários caminhos, sem qualquer rumo. É saber que nada mais existe para além daquelas duas pessoas, daquela cama, daqueles gemidos, daquelas respirações ofegantes e daquelas palavras. É sentir que não estamos sozinhas e que nos sentimos preenchidas. É não pensar, mas sim prazear seja por cima, por baixo ou de quatro. É poder, no fim, ouvir dizer que se morreu para a vida e abraçá-lo enquanto ele nos prende o braço e a mão nos braços e nas mãos dele, junto ao peito, e não nos deixa fugir.

 

sábado, março 14, 2009

Passar e Ficar

São 7 horas do dia-quase-noite e é alí, na plena baixa da Cova da Piedade que a vida acontece. Pastelarias, Cafés, Lojas de roupa, Centros Comerciais, pessoas, autocarros e carros…Tudo passa por ela e é alí que a vida acontece. É alí que acontecem os segundos, os minutos, as meia horas e as horas de um lanche de final de tarde. É alí que os casais de namorados aproveitam o único momento do dia que têm juntos. É alí que as senhoras de meia-idade se reunem para combinar a próxima colecta de dinheiro para a Paróquia e é, ainda alí, que quem vive sozinho nesta vida passa o tempo, sabendo que o Tempo passa, mas sem dar conta deste tempo que passa.

São 7 horas do dia-quase-noite e a Cova da Piedade é de todos os que lá passam, mesmo daqueles que, não querendo, não têm como não lá passar. E, depois de todos lá passarem, a Cova da Piedade continua ali, até ao dia seguinte, até às 7 horas do dia-quase-noite seguinte. A Cova da Piedade continua alí, até alguém passar por ela e apreciar o tempo do Tempo que lá passa.

Pessoas que passam e locais que ficam…

Tempos que passam e momentos que ficam…

As Pessoas são como o Tempo. Passam, num segundo, num minuto, numa hora, num dia, numa semana, num mês, num ano… Passam, por vezes, sem olharmos para elas, sem vermos que estão a passar. Os locais, esses são como os momentos. Ficam sempre e duram para sempre, mesmo quando as Pessoas e o Tempo já passaram…